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LUÍSA SONZA ANUNCIA CONCERTOS EM PORTUGAL EM 2027

  • Foto do escritor: Alvor FM
    Alvor FM
  • 15 de abr.
  • 3 min de leitura

Luísa Sonza anuncia concertos em Portugal no próximo ano: 16 de abril, na Super Bock Arena, no Porto; e 17 de Abril na Meo Arena, em Lisboa. Os bilhetes já estão em pré-venda aqui e a venda geral acontece a partir de 15 de abril às 09h00 em Bol.pt e nos locais habituais.


Luísa Sonza vem apresentar o seu mais recente álbum, “Brutal Paraíso” – ouvir aqui. A artista estreou-se este fim de semana (11 abril) no Coachella, diante de um público em êxtase, tendo levado o novo álbum a palco pela primeira vez. Esta atuação representa um marco para um novo capítulo na sua carreira internacional.


Sobre “Butal Paraíso”, os primeiros segundos do disco anunciam uma falsa memória de paraíso. O som do mar entra como promessa — um litoral idealizado, quase imóvel no cartão postal — até que, de repente, algo falha. A estação de rádio muda, o ruído invade, a batida endurece. O que parecia repouso revela tensão. Surge uma risada que soa deslocada, como vinda de um outro ambiente — ou simplesmente um deboche. A travessia está feita. Do cenário idílico, resta só um eco. É nesse corte que “Brutal Paraíso”, quinto álbum de estúdio de Luísa Sonza, se instala.



A abertura com a vinheta “Distrópico” já aponta a espinha dorsal do disco, um trabalho de fricção entre camadas sonoras e simbólicas que, colocadas em contato, produzem sentido pelo choque. O mar — recorrente ao longo do álbum, reaparecendo em ruídos de ondas ou gaivotas — nunca é apenas natureza. É sempre memória de uma utopia, algo que já foi imaginado como lugar de plenitude e que agora retorna atravessado por interferências, por uma espécie de instabilidade desiludida.


O álbum nasce desse contraste exposto já em seu título, “Brutal Paraíso”. De um lado, a ideia de Brasil que atravessa a história da canção — solar, construída sobre uma “promessa de felicidade”. De outro, a experiência concreta de uma jovem artista que cresceu num país fragmentado, urbano, atravessado por tensões que não cabem nesse imaginário. “Brutal Paraíso é o oposto do ‘Bossa Sempre Nova’”, diz Luísa Sonza, referindo-se a seu disco anterior, no qual relia clássicos do gênero ao lado de Roberto Menescal e Toquinho. “‘Bossa Sempre Nova’ é como um espelho retrovisor, mostrando o que se via lá atrás, como na capa que fiz pro disco, aquele apartamento onde tudo era perfeito, seguro, utópico. Já ‘Brutal Paraíso’ é o que eu vejo hoje, como eu como uma jovem brasileira vejo o mundo, de maneira crua”.


Ao separar o “Bossa Sempre Nova” de “Brutal Paraíso”, Luísa não estabelece apenas dois momentos distintos de carreira, mas duas formas de olhar o mundo. “É muito linda a utopia, a expectativa do paraíso, a vontade de viver esse paraíso, mas é um paraíso que não existe”, crava a cantora. “Esse Jardim do Éden está distante da nossa realidade”.


Essa consciência é o eixo do novo disco. Não se trata de negar a tradição, mas de deslocá-la. A bossa nova — eixo simbólico do “Paraíso” de “Bossa Sempre Nova” — aparece como referência constante, mas nunca como lugar de repouso. Em “Fruto do Tempo”, a bateria tocada no aro carrega um eco direto da linguagem bossanovista, mas o que ela sustenta é uma letra de desilusão completa, em que o tempo não redime, apenas acumula experiências.


O disco anterior era uma visita, um mergulho respeitoso numa tradição. Já “Brutal Paraíso” recorre à bossa nova como contraponto. Logo na abertura, “Fruto do Tempo” retoma “Consolação”, de Baden Powell e Vinícius de Moraes, não como reverência, mas como resposta. A pergunta que atravessava a canção original (“Se não tivesse o amor?”) reaparece agora invertida. Não há mais hipótese, há constatação (“Já não existe amor”). Mas é necessário que se viva. “As coisas não estão mais bonitas como eram, mas ainda existem”, resume Luísa.


A ideia contida nessa fala da cantora sustenta o disco inteiro. Não há em “Brutal Paraíso” a idealização do amor como força redentora, mas sim a insistência em se sobreviver a ele. “Que o amor morra pra eu viver” — verso-chave do álbum, presente na faixa “Que o Amor Morra” — condensa essa inversão e aponta para uma ética que se constrói ao longo do disco: a necessidade de interromper a idealização para preservar a própria existência.





 
 
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